Categoria: Artigos
Data: 03/04/2026
POR QUÊ DEVEMOS CELEBRAR “A PAIXÃO DE CRISTO”?
Deamiro Honorê de Oliveira Junior
Por quê devemos celebrar “A Paixão de Cristo”?
Um plano traçado na eternidade. A morte de Cristo foi planejada pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo, na eternidade, antes da fundação do mundo e da criação de Adão1. Prevendo que o homem, a quem por amor criaram originalmente à Sua imagem e semelhança, iria pecar, e, como consequência se tornar escravo do pecado2 e de satanás, e que esta consequência iria se espalhar para todas pessoas3, tornar-se universal, as três pessoas da Trindade, também na eternidade, por amor, reuniram-se para traçar um plano para resgatar do poder do pecado e do poder de satanás com a salvação de Cristo4 àqueles que se tornariam o Seu povo, a nova humanidade5, o qual foi chamado de “plano de redenção”.
Um plano que consistia na substituição, troca, do justo pelo injusto: o “maravilhoso intercâmbio”. O plano traçado pelas três pessoas da Trindade consistia em Deus oferecer à Cristo como representante e substituto do homem na culpa pelo pecado, de Adão, pecado original, e por todos os pecados que o Seu povo cometeu, comete e ainda vai cometer6, cuja origem é o pecado de Adão, e na penalidade pelo pecado, e a Cristo se oferecer, voluntariamente, para assumir a culpa pelo pecado e suportar a penalidade pelo pecado, para resgatar com a Salvação àqueles que deveriam formar o Seu povo. Transferir a culpa pelo pecado e a penalidade pelo pecado para outra pessoa. O que mostra que a salvação do homem depende de outra pessoa.
Um plano que deveria ser executado por Cristo. Ao traçarem o plano de redenção as três Pessoas da Trindade dividiram a obra, cabendo à Cristo à execução do plano, que consistia em vir ao mundo; assumir a culpa pelo pecado e suportar a penalidade pelo pecado, de morte. Cumprindo esclarecer, o plano exigia uma pessoa divina para o seu cumprimento, e Cristo: “[...] era uma pessoa divina e, portanto seu sacrifício tinha valor e mérito infinitos. Tinha valor daquele que o ofereceu: o Filho de Deus. [...].” 7, e “[...] como G. S. Bishop bem disse: “Quando a justiça golpeia uma vez ao Filho de Deus, a justiça se esgota. O pecado é castigado em um Objeto Infinito”. A expiação de Cristo foi contrária a nossos processos legais porque esta se eleva por cima de suas limitações finitas!”8 O que demonstra que a salvação do homem não depende dele, exige um substituto, uma pessoa divina.
O quanto custou à salvação para àqueles a quem Cristo veio resgatar com a salvação, e para Cristo e a Deus, que juntamente com o Espírito Santo, traçaram o Plano de Redenção. O resgate com a salvação daqueles à quem Cristo veio resgatar não custou nada aos mesmos. Até porque eles não podiam contribuir com nada para a sua salvação, por estarem mortos espiritualmente. Mas para para Cristo e para Deus custou muito. Cristo, que sendo sem pecado, e odiando o pecado, por amor, tornou- se pecado9 (e não pecador); assumiu os pecados daqueles à quem veio salvar e suportou a penalidade pelo pecado, a humilhante morte de cruz, e, por única vez, por ter se tornar pecado, ser separado das demais pessoas da Trindade. E Deus, onipotente, que com um simples gesto poderia exterminar toda a raça humana, por amor a todos aqueles que tornariam o povo do Seu Filho, teve que assistir, sem fazer nada, a todas as maldades que foram injustamente praticadas contra o Seu único Filho para que o “plano de redenção” fosse cumprido.
Os motivos para àqueles a quem Jesus veio salvar e resgatar serem eternamente gratos a Ele e celebrarem o dia conhecido como “A Paixão de Cristo”. Todos àqueles à quem Cristo veio resgatar com a Sua salvação devem ser eternamente gratos a Este pela obra que o mesmo em favor dEles, a morte do justo, sem pecado, pelos injustos, pecadores, para resgatá-los com a salvação do poder do pecado e do poder de satanás, e, conduzi-los para dentro da eternidade, o lar celestial, a maior prova de amor, e celebrar a data conhecida como a Paixão de Cristo.
“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3.16)
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1. Efésios 1.4.
2. João 8.34.
3. Romanos 5.12, 1 Coríntios 15.21 e seguintes.
4. LLOYD-JONES, D. Martyn. Salvos somente pela Graça: sermões sobre Ezequiel 36.16-36. Tradução de Marcelo Siqueira Gonçalves. São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas - PES, 2021. 164-165 pp.
5. 1Coríntios 15.21-22.
6. HOEKEMA, A. Anthony. Salvos pela graça: a doutrina bíblica da salvação. Obra citada. 175 p.; e HOEKEMA, A. Anthony. Criados à Imagem de Deus: a relevância de uma antropologia cristã face os problemas urgentes de hoje. Traduzido por Heber Carlos de Campos. 3. ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2018. 162 p.
7. FERGUSON, Sinclair B. Somente pela graça: como a graça de Deus me surpreende. Tradução de Susana Klassen. São Paulo: Vida Nova, 2021. 81 p.
8. PINK, Arthur W. A doutrina da justificação. Tradução de Felipe Sabino de Araújo Neto. 26 p. www.monergismo. Disponível em: https://www.monergismo.com › textos › livros. Acesso em: 24 de junho de 2024.
9. 2Coríntios 2.21 e Isaías 53.4-6.